Dom José Francisco Falcão de Barros comenta o Evangelho de Mateus, versículo por versículo. Reflete sobre Mateus 11,22 e um texto de Santo Agostinho:

Mateus 11,22 – Censura às cidades impenitentes

πλὴν λέγω ὑμῖν, Τύρῳ καὶ Σιδῶνι ἀνεκτότερον ἔσται ἐν ἡμέρᾳ κρίσεως ἢ ὑμῖν

 

“Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós!”

“‘Todos aqueles que pecaram sem Lei, sem lei perecerão; e todos os que pecaram com Lei, pela Lei serão julgados’ (Rm 2,12). Não me parece que o Apóstolo tenha falado como se quisesse significar que sofreriam castigo maior os que em seus pecados desconhecem a Lei com relação aos que a conhecem. Parece-me pior perecer que ser julgado. Mas como se referia com essas palavras aos pagãos e aos judeus, pelo fato de aqueles não terem Lei, e estes terem recebido a Lei, quem se atreverá a dizer que os judeus, ao pecar com a Lei, não perecerão, pois não creram em Cristo? Portanto, sem a fé de Cristo não há libertação; por isso, serão julgados e perecerão”.

“Se é pior a sorte dos que desconhecem a Lei com relação aos que a conhecem, como dizer que é verdade o que o Senhor afirma no Evangelho: ‘Aquele que não conheceu a vontade de seu senhor e tiver feito obras dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes. Aquele servo que conheceu a vontade de seu senhor, mas não se preparou e não agiu conforme sua vontade, será açoitado muitas vezes?’ (Lc 12, 47-48)? Estas palavras revelam que o pecado do que sabe é mais grave do que o do que desconhece. Mas essa diferença não há de ser motivo para se refugiar nas trevas da ignorância e, assim, se escudar nessa desculpa. Uma coisa é não saber, e outra não querer saber”

Santo Agostinho (354-430)
A graça e a liberdade, 3, 5